Segundo Muchanga, o objetivo da iniciativa é acelerar a realização de um congresso antes do mês de outubro, destinado à eleição de uma nova direção da Renamo, prazo que considera essencial para preparar o partido para o próximo ciclo eleitoral.
O anúncio foi feito durante o lançamento oficial das visitas de trabalho da Comissão de Gestão aos distritos das províncias da região sul de Moçambique. A iniciativa visa reforçar o contacto com as bases do partido e recolher contribuições dos membros sobre o futuro da organização.
De acordo com António Muchanga, o processo a ser submetido à PGR será sustentado pelas assinaturas recolhidas junto de membros da Renamo em diferentes regiões do país e pretende produzir efeitos jurídicos.
“Daqui a alguns dias vamos remeter um processo à Procuradoria. Aquelas assinaturas não eram para inglês ver, nem para conhecer o número de membros que estão connosco, mas para fazer valer na justiça”, afirmou.
As visitas de trabalho promovidas pela Comissão de Gestão deverão abranger vários distritos da região sul, com o objetivo de auscultar as estruturas locais e fortalecer a articulação entre os membros da organização.
Durante a sua intervenção, Muchanga acusou a atual liderança da Renamo de atrasar o funcionamento dos órgãos internos do partido. Como exemplo, apontou a não realização da segunda sessão ordinária do Conselho Nacional, órgão responsável por aprovar o plano de atividades, o orçamento e o balanço da organização.
“Qual é o plano de atividades deste ano? Quem aprovou? Onde? Qual é o orçamento? Quem aprovou? Onde?”, questionou.
O dirigente defendeu que o Conselho Nacional deve reunir-se para desencadear os procedimentos necessários à convocação do congresso.
“Nós queremos que ele vá ao Conselho Nacional, e que o Conselho Nacional convoque o Congresso”, declarou.
António Muchanga reiterou ainda que a Renamo precisa de eleger uma nova liderança antes do início do próximo ciclo eleitoral, defendendo que o partido deve estar devidamente organizado para enfrentar os desafios políticos que se aproximam.
“Até outubro deve haver na Renamo uma nova liderança”, reforçou.
Durante o encontro, vários participantes manifestaram preocupação com o ambiente de tensão interna vivido no partido. Os intervenientes apontaram divergências entre diferentes setores da Renamo e defenderam que a realização de um congresso poderá contribuir para reorganizar a formação política.
“Esta é a prova mais evidente de que a Renamo está esquartejada”, afirmou António Muchanga.
Por sua vez, o porta-voz dos desmobilizados da Renamo, João Machava, reiterou o apoio às iniciativas da Comissão de Gestão e defendeu o reforço da mobilização dos membros para assegurar o cumprimento dos mecanismos internos previstos nos estatutos do partido.
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