Natural da província de Gaza, Mãe Machava mudou-se para a cidade de Maputo em 2021, depois de aceitar uma proposta para trabalhar como empregada doméstica. No entanto, dois anos mais tarde, decidiu abandonar o emprego devido a problemas de convivência com os patrões e passou a procurar novas oportunidades de trabalho.
Sem conseguir encontrar outro emprego, deixou de ter condições para pagar a renda da casa onde vivia e acabou por fazer das entradas de estabelecimentos comerciais, agências bancárias e ruínas existentes em algumas avenidas da capital o seu novo local de abrigo.
Segundo contou, foi durante o período em que passou a viver na rua que conheceu o atual companheiro, também morador de rua.
“Vivo na rua há três anos. Durante esse período conheci o meu namorado, que também vive na rua. Fiquei grávida, tive uma gestação tranquila e a minha filha nasceu no Hospital Central de Maputo”, relatou.
Atualmente instalada na Avenida Mao Tsé-Tung, Mãe Machava afirma que a maternidade tornou os desafios diários ainda maiores.
De acordo com o seu testemunho, a filha enfrenta problemas de saúde provocados pelas difíceis condições em que vive.
“A minha filha está com uma tosse que não passa por causa do frio que faz durante a noite. Tenho ido ao hospital, mas não tenho dinheiro para comprar os medicamentos”, lamentou.
A jovem mãe explica que a sobrevivência da família depende, em grande parte, da solidariedade de moradores das redondezas, que frequentemente oferecem alimentos e outros bens essenciais.
Segundo Mãe Machava, a alimentação insuficiente também dificulta a amamentação da bebé.
“Como não consigo alimentar-me regularmente, também não consigo amamentar a minha filha como devia. Por isso, ela acaba por comer aquilo que eu como. Sei que não é o mais adequado para a idade dela, mas não vejo outra alternativa”, afirmou.
Apesar das dificuldades, Mãe Machava garante que o seu maior desejo é deixar a vida nas ruas ao lado do companheiro e proporcionar à filha uma infância com melhores condições.
Segundo ela, nenhuma criança merece crescer sem um lar, segurança e acesso às condições básicas de saúde e alimentação.

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