"Não podemos ter árbitros e jogadores ao mesmo tempo. Ou joga, ou apita. Não se pode jogar com o apito na boca"
O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, defendeu, nesta terça-feira, 14 de Julho de 2026, que cada actor da economia nacional precisa de ter uma noção clara do papel que lhe compete, realçando que os sectores público e privado devem funcionar de forma complementar para impulsionar o desenvolvimento do país. As declarações foram proferidas durante a abertura da XXI Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), que decorreu no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.
No seu discurso, o Chefe de Estado considerou que as nações que mais prosperam são as que melhor estruturam as suas instituições, apostam nas pessoas, dão valor ao conhecimento e convertem ideias em inovação e progresso. Frisou tratar-se da visão que norteia o Governo, segundo a qual "produzir significa criar oportunidades para todos, transformar significa criar riqueza e competir significa criar o futuro".
Daniel Chapo esclareceu que o desenvolvimento económico não pode ser atribuído a uma única instituição, tratando-se antes de uma tarefa colectiva que reúne Governo, empresas, trabalhadores, universidades, cidadãos e parceiros de desenvolvimento. Na óptica do Presidente da República, ao sector público compete regular, legislar e assegurar condições favoráveis aos negócios, ao passo que ao sector privado cabe investir, produzir, transformar, criar postos de trabalho e contribuir para uma economia mais robusta e competitiva.
O Presidente chamou ainda a atenção para a necessidade de uma distinção nítida entre as funções públicas e as privadas, defendendo que não deve haver sobreposição de interesses entre quem regula e quem opera no mercado. "Não podemos ter árbitros e jogadores ao mesmo tempo. Ou joga, ou apita. Não se pode jogar com o apito na boca", declarou, realçando a relevância da transparência, da ética e da confiança no ambiente empresarial.
Daniel Chapo reconheceu a contribuição do sector privado na geração de riqueza, emprego e inovação, assegurando que o Governo continuará ao lado dos empresários, esperando, em contrapartida, um sector privado empenhado no investimento de longo prazo, na valorização do conteúdo local, na capacitação dos trabalhadores, na inovação e na transformação estrutural da economia nacional.
Por fim, o Chefe de Estado sublinhou que Moçambique reúne condições singulares para edificar um futuro próspero, apelando à conjugação de esforços de modo a converter os desafios em oportunidades e o potencial do país em desenvolvimento sustentável.

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