Grávida morre após complicações no parto e família denuncia alegada negligência hospitalar
Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu após sofrer graves complicações durante o parto no Hospital Regional de Samambaia, no Distrito Federal. Grávida de 41 semanas, ela teria informado à equipa médica que não tinha condições para um parto normal, mas, segundo a família, o alerta não foi considerado.
De acordo com informações apuradas pela TV Globo junto aos familiares, Maria Graciana deu entrada na unidade hospitalar na manhã de quinta-feira (9), já com a bolsa rota, sem dilatação e sem contrações. Apesar do quadro clínico, a equipa médica insistiu durante várias horas na tentativa de realizar um parto normal e demorou a iniciar o processo de indução.
A cesariana de emergência só foi realizada na madrugada de sexta-feira (10), quando o bebé já apresentava sinais de sofrimento fetal, incluindo uma queda nos batimentos cardíacos.
Após a cirurgia, Maria Graciana sofreu uma hemorragia grave, foi submetida a uma histerectomia, teve cinco paragens cardiorrespiratórias e acabou por morrer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A recém-nascida sobreviveu, mas nasceu sem respirar. A bebé precisou de ser reanimada e permanece internada em estado grave, à espera de uma vaga no Hospital Materno Infantil de Brasília, unidade com estrutura especializada para este tipo de atendimento.
Segundo a família, os parentes permaneceram durante toda a madrugada no hospital sem receber qualquer atualização sobre o estado de saúde de Maria Graciana. A notícia da morte foi comunicada apenas na manhã seguinte e, de acordo com os familiares, não por um médico, mas por uma psicóloga, depois de familiares e membros da igreja da vítima se concentrarem na receção à procura de informações.
Os familiares afirmam ainda que nenhum profissional explicou tecnicamente o que aconteceu nem informou quem integrava a equipa médica de serviço no momento do atendimento.
Segundo um levantamento da TV Globo, pelo menos quatro famílias denunciaram, nos últimos quatro anos, alegados casos de negligência no atendimento a gestantes e recém-nascidos na mesma unidade hospitalar.
Procurada para comentar o caso, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que a ocorrência está a ser apurada com rigor. O órgão acrescentou que, caso sejam confirmadas falhas na assistência ou indícios de negligência, serão adotadas todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis, incluindo a responsabilização dos envolvidos.
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