Por Redação
Publicado em 18 de Julho de 2026
O Conselho Nacional de Transição (CNT) da Guiné-Bissau divulgou um comunicado de imprensa no qual manifesta o seu "mais profundo e categórico repúdio" às declarações do Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, acusando-o de interferir em assuntos internos da justiça guineense e de apoiar posições consideradas contrárias ao povo da Guiné-Bissau.
No documento, o CNT afirma que Daniel Chapo terá procurado imiscuir-se em decisões soberanas da justiça guineense e sustenta que a Guiné-Bissau rejeita "lições de moral e de democracia" de quem, segundo o comunicado, não possui "estofo, legitimidade e autoridade moral".
A organização recorda ainda a cerimónia de tomada de posse de Daniel Chapo, classificando-a como um momento de "humilhação internacional", referindo que vários Chefes de Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), incluindo representantes do Brasil, Angola, Portugal e Cabo Verde, não estiveram presentes.
Segundo o comunicado, o único Chefe de Estado que participou na cerimónia foi o Presidente da Guiné-Bissau, gesto que o CNT considera ter representado solidariedade para com o povo moçambicano numa fase marcada por instabilidade e contestação social. O documento afirma ainda que, em troca dessa solidariedade, a Guiné-Bissau terá sido alvo de críticas e insultos.
O CNT questiona igualmente a posição de Daniel Chapo e da CPLP perante processos judiciais envolvendo antigos líderes brasileiros, como Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, argumentando que existe um tratamento desigual quando se trata da justiça guineense. O comunicado considera que qualquer tentativa de ingerência na justiça da Guiné-Bissau constitui uma atitude hipócrita e de cariz colonial.
O documento prossegue afirmando que Daniel Chapo não deveria criticar a Guiné-Bissau quando Moçambique enfrenta desafios internos, incluindo a insurgência armada em Cabo Delgado e problemas relacionados com a segurança. Segundo o CNT, um governante que não consegue assegurar a ordem e a paz no seu próprio país deveria concentrar-se na resolução dessas questões em vez de comentar assuntos internos de outros Estados.
Na parte final do comunicado, o Conselho Nacional de Transição declara que a Guiné-Bissau não se submete a pressões externas nem aceita a arrogância de líderes estrangeiros, acusando Daniel Chapo de procurar protagonismo internacional para ocultar fragilidades internas.
O CNT conclui exigindo respeito mútuo entre os Estados e reafirma que a Guiné-Bissau é um país soberano, livre e responsável pelo seu próprio destino.
O comunicado está datado de 17 de Julho de 2026, em Bissau, e é apresentado como tendo sido emitido pelo Gabinete do Porta-Voz do Conselho Nacional de Transição. Leia o documento original abaixo:


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