João Macamo, que antes da detenção trabalhava como montador de janelas em residências, foi restituído à liberdade em 2025. No entanto, ao regressar ao bairro onde vivia antes da sua prisão, encontrou uma situação completamente diferente daquela que deixou em 2014.
A casa onde cresceu, localizada no bairro de Chamanculo, na Cidade de Maputo, e onde vivia com a mãe e o irmão mais velho, já estava ocupada por outras pessoas.
“Eu vivia com o meu irmão mais velho e a minha mãe na casa que o meu falecido pai deixou. Quando questionei os meus vizinhos sobre o paradeiro deles, não conseguem me responder. Dizem que o meu irmão está a viver na África do Sul e da minha mãe ninguém sabe onde vive actualmente”, contou João Macamo.
Sem apoio familiar e com dificuldades para se reintegrar na sociedade depois de mais de uma década afastado, João acabou por procurar abrigo numa oficina próxima da Praça 21 de Outubro, na Cidade de Maputo, onde vive juntamente com outras pessoas em situação semelhante.
Para conseguir sobreviver, o grupo recorre à recolha de materiais recicláveis, que depois são vendidos para conseguir algum dinheiro destinado à compra de alimentos e roupas.
Apesar das dificuldades enfrentadas, João Macamo afirma que ainda mantém esperança de reconstruir a sua vida e continua à procura dos familiares, esperando obter esclarecimentos sobre o que aconteceu com a antiga residência da família e sobre a venda da casa onde vivia antes de ser condenado.
O caso evidencia os desafios enfrentados por algumas pessoas após o cumprimento de penas de prisão, sobretudo na fase de reintegração social e recuperação dos vínculos familiares perdidos durante longos períodos de afastamento.
Texto de Micaela Meque.

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