Durante uma visita de trabalho realizada à província na semana passada, Letela deslocou-se ao local para conhecer a realidade no terreno e compreender as razões pelas quais a mina tem sido frequentemente notícia, sobretudo devido aos incidentes registados.
No local, os garimpeiros confirmaram que milhares de pessoas continuam ligadas à atividade mineira. Estima-se que existam mais de 10 mil homens e mulheres na região, havendo quem aponte para cerca de 14 mil pessoas. Entre eles encontram-se indivíduos com antecedentes criminais, mas também cidadãos que procuram na exploração de ouro uma oportunidade para melhorar as suas condições de vida.
Durante o encontro, Américo Letela manifestou preocupação com a perda de vidas humanas e procurou saber que medidas estão a ser adotadas para evitar novos acidentes, recuperar possíveis corpos soterrados em desabamentos anteriormente noticiados e esclarecer informações sobre a alegada presença de estrangeiros na atividade mineira.
Contudo, segundo os garimpeiros, a realidade encontrada no terreno difere de algumas informações que circulavam. Os mineiros afirmaram que há vários meses deixaram de explorar aquela área, em cumprimento da decisão do Conselho de Ministros que determinou a suspensão da atividade.
Os participantes asseguraram ainda que não existem cidadãos estrangeiros a exercer garimpo no local e reconheceram que, apesar da desorganização característica da mineração informal, estão conscientes dos riscos de segurança que a situação pode representar, caso não seja devidamente controlada. Referiram mesmo a necessidade de evitar que o cenário evolua para problemas semelhantes aos registados em Cabo Delgado.
Perante estas informações, o Procurador-Geral da República apelou ao reforço da vigilância permanente na zona.
Os garimpeiros mostraram também as ações que estão a desenvolver para localizar e recuperar eventuais corpos soterrados e anunciaram que pretendem adotar a mineração a céu aberto como forma de reduzir o risco de novos desabamentos.
Além disso, sugeriram ao Governo a criação de um posto oficial para a compra de ouro na região, defendendo que a medida permitiria melhorar o controlo da atividade, aumentar a arrecadação de impostos e garantir maiores benefícios para o Estado.

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