A posição foi apresentada no dia 14 de Julho de 2026, durante o encontro realizado pelo Governo na Escola Secundária Zedequias Manganhela, no Bairro 25 de Junho, na Cidade de Maputo.
Segundo o analista político Solomon Mondlane, que escreveu sobre o assunto, Venâncio Mondlane decidiu quebrar o silêncio e questionar directamente tanto as propostas em discussão como a legitimidade do próprio processo de diálogo.
De acordo com o texto, uma das propostas apresentadas no diálogo defende “a introdução de reformas graduais para melhorar a transparência, eficácia e credibilidade do sistema eleitoral”. Entretanto, o ANAMOLA considera que esta abordagem não responde ao principal problema que afecta a confiança dos cidadãos no processo democrático: a alegada fraude eleitoral.
Para Venâncio Mondlane, a integridade eleitoral não pode ser uma questão adiada. A liderança do ANAMOLA defende que, depois de anos marcados por eleições contestadas, denúncias de irregularidades e perda de confiança pública nas instituições eleitorais, tratar a transparência como uma meta de longo prazo representa uma forma de evitar o problema central.
Segundo a análise apresentada, o partido considera que uma resposta gradual, num momento em que muitos cidadãos exigem mudanças imediatas, demonstra uma distância entre o diálogo promovido e as preocupações sentidas pela população.
Venâncio Mondlane questionou ainda quem o actual processo de diálogo pretende representar, apontando críticas aos participantes das audições da COTE que, segundo ele, teriam demonstrado falta de interesse em alcançar uma verdadeira transparência eleitoral.
Na visão do ANAMOLA, um diálogo nacional com legitimidade deve incluir como prioridade a principal exigência manifestada por muitos cidadãos: a realização de eleições livres, justas e verificáveis.
O partido argumenta que a reconciliação nacional e a estabilidade política não podem ser construídas sem enfrentar directamente as questões relacionadas com a confiança no sistema eleitoral. Para o ANAMOLA, iniciar o processo classificando a transparência eleitoral como um objectivo gradual compromete a credibilidade do diálogo desde a sua origem.
Segundo a posição defendida pelo partido, um processo que adia medidas consideradas essenciais e dá espaço a defensores da manutenção do actual sistema sem mecanismos de fiscalização eficazes corre o risco de se transformar num exercício de gestão de imagem, em vez de uma verdadeira solução para os problemas nacionais.
O ANAMOLA defende que qualquer diálogo nacional sério deve começar pelo combate à fraude eleitoral, através da implementação de eleições transparentes, justas e verificáveis.
A formação política considera que, sem esse compromisso, o diálogo nacional exclusivo e contínuo poderá apenas prolongar a crise de confiança entre o Estado e os cidadãos.
“Moçambique não precisa de mais tempo. Precisa de verdade”, defende a posição atribuída ao ANAMOLA, que apela para que o combate à fraude eleitoral esteja no centro das discussões nacionais e não seja colocado em segundo plano.

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