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Cientistas criam material capaz de tornar o calor “programável”

Universidade Metropolitana de Osaka cria material que permite controlar o calor de forma programável, com aplicações em energia, sensores e memória.
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Nova tecnologia desenvolvida no Japão permite controlar a radiação térmica de forma inteligente e poderá revolucionar sistemas de energia, sensores e armazenamento de informação

Por Redação
Publicado em Julho de 2026

Uma equipa de investigadores da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão, desenvolveu uma nova arquitectura de material capaz de controlar e direccionar a radiação térmica de forma programável, representando um avanço significativo na área da física térmica.

A inovação procura resolver um dos maiores desafios deste campo científico: permitir o controlo independente da absorção e da emissão de calor, algo que até agora era limitado pelas propriedades naturais da maioria dos materiais.

Segundo os cientistas, nos materiais convencionais a forma como a energia térmica é absorvida está directamente relacionada com a forma como essa energia é emitida, fenómeno conhecido como reciprocidade. Essa característica dificulta o direccionamento do calor para aplicações específicas.

Com a nova tecnologia, essa limitação foi ultrapassada. O material desenvolvido permite que a radiação térmica seja direccionada, activada ou desactivada conforme a necessidade, oferecendo maior flexibilidade para diferentes aplicações tecnológicas.

Para alcançar esse resultado, os investigadores combinaram materiais magneto-ópticos, que alteram o seu comportamento quando submetidos a campos magnéticos, com um material de mudança de fase conhecido como GST (Ge₂Sb₂Te₅), composto por germânio, antimónio e telúrio.

A combinação destes componentes possibilitou a criação de um dispositivo capaz de armazenar diferentes estados de emissão térmica, mantendo essas configurações mesmo depois de a alimentação eléctrica ser desligada.

De acordo com o cientista Shunsuke Murai, a equipa conseguiu tornar a radiação térmica “mais inteligente”, abrindo caminho para o desenvolvimento de uma nova geração de emissores de infravermelhos, sensores avançados, sistemas de gestão térmica e dispositivos de memória que utilizam luz e calor em vez de cargas eléctricas.

Os testes realizados também demonstraram que o dispositivo responde de forma eficiente à incidência da luz, mesmo quando esta atinge o material em ângulos próximos da perpendicular. Segundo os investigadores, este desempenho supera limitações verificadas em tecnologias anteriores, que exigiam ângulos mais inclinados para produzir resultados semelhantes.

Além disso, o sistema apresentou maior estabilidade na alternância entre diferentes estados de funcionamento e revelou uma capacidade superior para preservar a informação armazenada.

O professor Koichi Okamoto, um dos responsáveis pela investigação, explicou que o objectivo da equipa é desenvolver dispositivos compactos capazes de controlar a radiação térmica com a mesma precisão com que os circuitos electrónicos controlam a electricidade.

Segundo o investigador, caso a tecnologia venha a ser aplicada comercialmente, poderá contribuir para o desenvolvimento de equipamentos energéticos mais eficientes, sensores de alta precisão e novas soluções para armazenamento de informação, impulsionando avanços em diferentes áreas da ciência e da indústria.

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