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Ginecologista é preso sob suspeita de gravar partes íntimas de paciente com óculos equipados com câmara em Salvador

Ginecologista foi preso em Salvador sob suspeita de gravar partes íntimas de uma paciente com uma câmara escondida em óculos.
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Um médico ginecologista foi detido na sexta-feira (10), no bairro Vila Laura, em Salvador, no estado brasileiro da Bahia, sob suspeita de gravar as partes íntimas de uma paciente durante uma consulta utilizando uns óculos equipados com uma câmara oculta.

O suspeito foi identificado como Hosana Pereira de Santana. Segundo informações divulgadas pela TV Aratu e confirmadas pelo Bahia Notícias, o profissional utilizava uns óculos de grau com uma câmara de inteligência artificial instalada na parte superior da armação, permitindo a gravação dos atendimentos sem que as pacientes se apercebessem.

Durante a abordagem policial, o médico confessou ter realizado as gravações e alegou que as imagens seriam utilizadas para "fins de pesquisa".

Em comunicado, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) informou que agentes da 58.ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) foram acionados para atender à ocorrência. Após ouvirem a paciente, os militares foram informados de que o médico já havia deixado a unidade de saúde e iniciaram diligências na região.

O veículo do suspeito foi localizado e intercetado na Avenida Heitor Dias. Durante a ação, o médico entregou aos agentes os óculos com a câmara e o telemóvel onde estavam armazenados os vídeos. Tanto o suspeito como a vítima foram encaminhados para a Casa da Mulher Brasileira, situada na Avenida Tancredo Neves, onde o caso foi formalmente registado.

A Clínica da Família, onde o médico prestava serviços, manifestou indignação com o caso e repudiou a conduta que lhe é atribuída. A instituição informou que suspendeu preventivamente todos os atendimentos realizados pelo profissional nas suas instalações até ao esclarecimento completo dos factos.

A clínica esclareceu ainda que o ginecologista não integra o quadro societário da empresa, atuando apenas como prestador de serviços, sem qualquer função de gestão ou administração.

Além disso, a unidade de saúde manifestou solidariedade à paciente e colocou-se à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, reafirmando o compromisso com a ética, a segurança, a confidencialidade e a proteção das mulheres atendidas.

Entretanto, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que tomou conhecimento do caso através da imprensa e que a sua Corregedoria instaurou uma sindicância de ofício para apurar os factos.

Segundo o Cremeb, caso a investigação resulte na abertura de um Processo Ético-Profissional e sejam aplicadas sanções públicas após decisão definitiva, essas medidas serão divulgadas à sociedade. O órgão recordou ainda que, de acordo com o Código de Processo Ético-Profissional, todos os processos decorrem sob sigilo, garantindo às partes o direito à defesa e ao contraditório.

Por sua vez, a Clínica da Família reiterou que qualquer eventual conduta individual, caso venha a ser confirmada pelas autoridades competentes, não representa os princípios nem os valores da instituição, que afirma pautar a sua atuação pelo respeito à dignidade humana, à privacidade e à integridade das pacientes.

Enquanto decorrem as investigações, a clínica informou que não fará comentários adicionais sobre os detalhes do caso, em respeito ao devido processo legal e à preservação da vítima.

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