O suspeito foi identificado como Hosana Pereira de Santana. Segundo informações divulgadas pela TV Aratu e confirmadas pelo Bahia Notícias, o profissional utilizava uns óculos de grau com uma câmara de inteligência artificial instalada na parte superior da armação, permitindo a gravação dos atendimentos sem que as pacientes se apercebessem.
Durante a abordagem policial, o médico confessou ter realizado as gravações e alegou que as imagens seriam utilizadas para "fins de pesquisa".
Em comunicado, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) informou que agentes da 58.ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) foram acionados para atender à ocorrência. Após ouvirem a paciente, os militares foram informados de que o médico já havia deixado a unidade de saúde e iniciaram diligências na região.
O veículo do suspeito foi localizado e intercetado na Avenida Heitor Dias. Durante a ação, o médico entregou aos agentes os óculos com a câmara e o telemóvel onde estavam armazenados os vídeos. Tanto o suspeito como a vítima foram encaminhados para a Casa da Mulher Brasileira, situada na Avenida Tancredo Neves, onde o caso foi formalmente registado.
A Clínica da Família, onde o médico prestava serviços, manifestou indignação com o caso e repudiou a conduta que lhe é atribuída. A instituição informou que suspendeu preventivamente todos os atendimentos realizados pelo profissional nas suas instalações até ao esclarecimento completo dos factos.
A clínica esclareceu ainda que o ginecologista não integra o quadro societário da empresa, atuando apenas como prestador de serviços, sem qualquer função de gestão ou administração.
Além disso, a unidade de saúde manifestou solidariedade à paciente e colocou-se à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, reafirmando o compromisso com a ética, a segurança, a confidencialidade e a proteção das mulheres atendidas.
Entretanto, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que tomou conhecimento do caso através da imprensa e que a sua Corregedoria instaurou uma sindicância de ofício para apurar os factos.
Segundo o Cremeb, caso a investigação resulte na abertura de um Processo Ético-Profissional e sejam aplicadas sanções públicas após decisão definitiva, essas medidas serão divulgadas à sociedade. O órgão recordou ainda que, de acordo com o Código de Processo Ético-Profissional, todos os processos decorrem sob sigilo, garantindo às partes o direito à defesa e ao contraditório.
Por sua vez, a Clínica da Família reiterou que qualquer eventual conduta individual, caso venha a ser confirmada pelas autoridades competentes, não representa os princípios nem os valores da instituição, que afirma pautar a sua atuação pelo respeito à dignidade humana, à privacidade e à integridade das pacientes.
Enquanto decorrem as investigações, a clínica informou que não fará comentários adicionais sobre os detalhes do caso, em respeito ao devido processo legal e à preservação da vítima.

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