Alguns profissionais do setor da Saúde na cidade de Nacala, província de Nampula, são suspeitos de exercer as suas funções sob o efeito de substâncias ilícitas, situação que está a preocupar as autoridades devido aos riscos que representa para os pacientes e para o funcionamento dos serviços de saúde.
A informação foi avançada pela diretora do Gabinete Provincial de Prevenção e Combate à Droga em Nampula, Isabel Alberto, que confirmou a existência de suspeitas, embora não tenha revelado o número de profissionais envolvidos.
Em entrevista, a responsável explicou que, segundo as informações disponíveis, alguns funcionários consomem drogas nas comunidades antes de se dirigirem aos respetivos locais de trabalho. Isabel Alberto também não especificou as unidades sanitárias onde os profissionais suspeitos exercem funções, esclarecendo que ainda aguarda relatórios detalhados elaborados pelas equipas técnicas.
Segundo a dirigente, a situação foi identificada recentemente por técnicos do Gabinete Provincial de Prevenção e Combate à Droga, que estranharam o comportamento apresentado por alguns profissionais durante o horário laboral.
Na sequência dessas suspeitas, foram iniciadas investigações para apurar as causas das alterações de comportamento, existindo indícios de que os envolvidos poderão estar a consumir metanfetamina, conhecida localmente por "sal" ou "makha". As autoridades continuam a recolher informações para esclarecer completamente o caso.
Em Nacala, o consumo de metanfetamina e de outras drogas continua a ser apontado pelas autoridades como uma ameaça à saúde pública e à segurança, afetando principalmente a juventude. Para combater o problema, têm sido intensificadas campanhas de sensibilização e disponibilizados canais para denúncias relacionadas com o consumo e tráfico de drogas.
Isabel Alberto afirmou que o Gabinete Provincial está a desenvolver ações de prevenção e sensibilização destinadas também aos profissionais suspeitos, com o objetivo de incentivar o abandono do consumo de drogas.
"Estamos a promover palestras em várias instituições. Pretendemos sensibilizar os colegas para que compreendam que as drogas destroem vidas e que abandonem esse comportamento pelo seu próprio bem e pelo bem da sociedade. Temos dado especial atenção ao consumo de álcool, porque muitos jovens começam por aí antes de passarem para drogas mais pesadas", afirmou.
Entretanto, as autoridades provinciais detiveram recentemente sete professores, de diferentes níveis de ensino, suspeitos de envolvimento na venda e consumo de drogas em escolas da província.
Perante essa situação, o governador de Nampula, Eduardo Abdula, apelou aos gestores escolares para reforçarem a identificação e responsabilização de profissionais envolvidos com drogas no ambiente escolar.
O governante classificou a situação como "vergonhosa" e reiterou uma política de tolerância zero contra o consumo e tráfico de estupefacientes nas escolas.
"Sinto-me envergonhado com a venda e o consumo de drogas nas escolas. Não vamos tolerar esta situação. A escola deve ser um espaço de conhecimento, disciplina e construção do futuro, e não um local de vícios e criminalidade. É inaceitável que existam pessoas a utilizar o ambiente escolar para destruir a vida dos alunos, das crianças e dos nossos filhos", declarou.
Por sua vez, o administrador de Nacala, Morchido Daúdo, apelou recentemente à população para denunciar casos de tráfico e consumo de drogas junto da Polícia da República de Moçambique (PRM) ou das autoridades distritais, garantindo que a identidade dos denunciantes será preservada.
O responsável informou ainda que, no âmbito das operações em curso, vários suspeitos já foram detidos.
Relativamente aos professores investigados, decorrem processos disciplinares e criminais que poderão resultar na expulsão dos envolvidos, uma vez que este tipo de comportamento é considerado incompatível com o exercício da profissão docente.
Contactado sobre o assunto, o diretor provincial de Educação e Cultura de Nampula, Williamo Tunzine, afirmou não dispor de informações completas no momento, indicando que se pronunciará após reunir todos os dados relacionados com o caso.
Isabel Alberto voltou a manifestar preocupação com a presença de drogas nas escolas, afirmando que as crianças são particularmente vulneráveis a este tipo de influência.
Segundo a dirigente, muitas famílias relatam situações difíceis relacionadas com filhos dependentes de drogas, que acabam por desenvolver comportamentos violentos, considerando especialmente grave quando um professor é suspeito de introduzir estas substâncias no ambiente escolar.
Apesar dos desafios, Isabel Alberto afirmou estar satisfeita com os resultados alcançados pelas campanhas de prevenção e combate ao consumo e tráfico de drogas na província, destacando o aumento do número de pessoas, sobretudo jovens, que têm procurado tratamento.
De acordo com os dados apresentados, nos últimos três meses foram instaurados 27 processos, dos quais 14 por tráfico e 13 por consumo de drogas, tendo sido detidas oito pessoas.
As autoridades continuam a considerar como zonas de maior preocupação os distritos da Ilha de Moçambique, Mossuril, Monapo, Mecubúri e Nacala-Porto, bem como os bairros Militar, Namutequeliua e Muahivire, no município de Nampula.

0Comentários